Santa Casa Belo Horizonte

O Hospital Central da Santa Casa de Belo Horizonte, inaugurado em 1946, foi então o primeiro hospital de grande porte construído no país. Passados 80 anos, a Santa Casa BH é o maior complexo hospitalar de Minas Gerais, sendo até hoje uma grande referência nacional no atendimento ao Sistema Único de Saúde – SUS.

Além de fundamental no âmbito hospitalar, a Santa Casa BH se destaca pela importância arquitetônica e histórica de suas edificações. O projeto do Hospital Central, de 1941, é de autoria de Rafaello Berti, arquiteto Italiano que se estabeleceu em Belo Horizonte na década de 30, sendo responsável por centenas de obras em todo o Estado, dezenas de hospitais e escolas, e alguns prédios icônicos de Belo Horizonte, como a sede da Prefeitura, a sede dos Correios, o Palácio Episcopal, a sede do Minas Tênis Clube, o Instituto Isabela Hendrix e o Cine Metrópole.

O edifício do Hospital da Santa Casa foi tombado em 2000 pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte – CDPCM-BH, e se insere na Praça Hugo Werneck, tombada em 1984 pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico – IEPHA. Além do edifício do Hospital Central, o complexo da Santa Casa inclui, na mesma quadra, outros bens tombados pelo Patrimônio Cultural Municipal, como a Maternidade Hilda Brandão, os pavilhões anexos a ela (Hugo Werneck e Wenceslau Brás) e o Pavilhão Miguel Couto. A Santa Casa de Belo Horizonte é um centro de alta tecnologia, que presta um atendimento de ponta a usuários do SUS. Entretanto, ela encontra sérios obstáculos nas limitações da edificação, erguida há quase um século. Desde a construção da Santa Casa, na década de 1940, até os dias de hoje, houve grandes avanços e inovações em todos os aspectos hospitalares: novos procedimentos, novos tratamentos, novas tecnologias, novas instalações, tipos de leitos etc.

Em especial nos últimos20 anos, a medicina passou por uma verdadeira revolução, acompanhada de inúmeros processos de atualização das normas sanitárias, de higiene e de segurança, inclusive contra incêndio. Dentre os problemas enfrentados hoje pela Santa Casa frente à atualização na dinâmica hospitalar destacam-se: a necessidade de ampliação de sua área física, as questões relativas a instalações, a complexidade de fluxos e ao atendimento às atuais normas reguladoras da atividade hospitalar.

O fluxo interno, em especial a circulação vertical, é um problema crítico. Os elevadores do prédio principal são em número insuficiente, lentos e antigos. Como consequência, as filas para uso dos elevadores são imensas, ocorre a circulação de óbitos ao longo de toda a circulação horizontal, e já houve casos de parto em elevadores, uma vez que a maternidade está no décimo primeiro andar. O Diagnóstico Técnico do Sistema de Transporte Vertical de Elevadores da Santa Casa de BH indica a necessidade de criação de ao menos 8 novos elevadores, além da reativação de monta-cargas existentes e implantação de sistemas de transportes rápidos de insumos. Além dos elevadores, se faz evidente para a segurança e a boa circulação no edifício a construção de ao menos uma nova grande escada.

Para atendimento às novas normas hospitalares, se faz necessário o redimensionamento das enfermarias, a criação de mais banheiros e a modernização das instalações. São necessárias novas prumadas não apenas hidrossanitárias, mas também de gases, de sistemas de climatização, além de ajustes e ampliações nas redes elétricas e de lógica. O sistema estrutural-construtivo da edificação não viabiliza que elas sejam embutidas nas alvenarias da fachada, e o projeto original não previu shafts suficientes. Além disso, obras com intervenções de poeira no conjunto da edificação seriam um grande transtorno para o funcionamento hospitalar, sobretudo nos andares de UTIs, internações e áreas de isolamento.

Frente ao desafio de solucionar essa gama de problemas no prédio do Hospital Central, propomos a construção de uma nova estrutura técnica, paralela à fachada posterior do prédio, que servirá de suporte para instalações e circulação vertical e horizontal, o que seria impossível de se resolver no interior do prédio principal.

O volume se resolve em uma estrutura metálica, apoiada diretamente no solo e acoplada à edificação existente, afastada desta em 6 metros. Predominantemente vazada, essa estrutura técnica se concretiza de maneira a não comprometer a ventilação dos ambientes internos, o que é potencializado com a aplicação de vegetação nos andares baixos, de modo a refrescar o ar ascendente nessa fachada, que recebe o vento predominante.

O ritmo da estrutura joga com o ritmo das marcações da fachada. E a transparência do volume, além de viabilizar a ventilação do prédio, permite sua leitura visual. Dessa forma, a nova estrutura, se por um lado assume uma identidade própria, por outro dialoga de maneira sutil com a edificação na qual se acopla.Funcionalmente, a nova estrutura suportará circulações verticais e horizontais, de médicos e serviços, abrigando uma nova escada e 8 novos elevadores, distribuídos em 3 blocos. As circulações horizontais acontecem a cada 2 pavimentos na maior parte da estrutura, de modo a favorecer a ventilação, a iluminação e a visibilidade do prédio da Santa Casa. A estrutura suportará ainda pequenos cômodos de apoio ao longo das circulações horizontais, os “cubos”, desafogando algumas demandas de espaço e compondo um jogo volumétrico com as circulações na estrutura.

A estrutura, metálica, se resolve com perfis laminados numa modulação horizontal de 8 metros, e vertical de cerca de 7 metros (2 pavimentos), contraventada com elementos diagonais em X. Em função da presença do edifício triangular próximo à fachada posterior do prédio principal, a estrutura teve que vencer um vão maior, de 48 metros; esse vão recebeu um apoio intermediário, em forma de cavalete, para permitir pontos de apoio fora do edifício triangular.

A vedação do bloco de escada será em painéis plissados de chapa alumínio perfurada; o sistema de chapas perfuradas permite a ventilação das escadas e ajuda na ventilação do edifício principal, e o plissamento das chapas ajuda no enrijecimento dos painéis.

As instalações presentes na estrutura – hidrossanitária, gases, ar condicionado e medicamentos – foram estrategicamente agrupadas, em função da demanda fornecida pelo corpo técnico da Santa Casa. Os shafts verticais, assim como suas conexões horizontais com o prédio principal, se dão em invólucros de seção oblonga, feitos na mesma chapa perfurada das escadas. Internamente, as tubulações serão pintadas das cores normatizadas pela ABNT, transparecendo levemente pelo invólucro de chapa perfurada.

Ficha Técnica:

GRILLO & associados / Desenvolvimento: BIRI Arquiteturas

Arquitetos: Antônio Carlos Grillo, João Grillo, Marcos Franchini, Nattalia Bom Conselho

Colaboração: Gabriella Sevilha, Julia Galindo, Luiza Lemos, Tiago Nogueira.

Consultoria e pré-dimensionamento estrutural e Execução: Techneaço – Marcos Aurélio Gonçalves

Consultoria de conforto ambiental: Luciana Carvalho

Consultoria de arquitetura e instalações: Santa Casas BH – Fernanda Baptista e Rômulo Martini

Consultoria elevadores: TK Elevadores – Marcos Luís

Consultoria vidros: Divinal – Abdo Moreira de Andrade

Projeto: 2025

Área: 2725 m²